quarta-feira, 23 de abril de 2014

Januarina





















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flor do sertão
fruto da roça
filha da chuva
semente no chão

Januarina

neta do rio
rosa e espinho
bisneta dos astros
pó no caminho

Januarina

da tez que cobre
das veias o pobre
da raça preceito
servidão, preconceito

Januarina

do instinto nascida
descartada, perdida
enredada num beco
na fuga do seco

Januarina

sombras e medo
do tronco, na noite
carrancas, segredo
prazer e açoite

Januarina

engenho da vida
desnuda, moída
essência de ser
destilada ao querer

Januarina

na boca, a sede
no abraço, o calor
nos braços, a rede
na língua, o amor



Dafran Macário
São Paulo
Abril, 2014

Jaguaruna

















mulher felina
morena fera

jeito de menina
sina de pantera

quanto mais mimada
mais atroz

quanto mais ferida
mais feroz

quanto mais magoada
mais algoz

porém a história
ao correr diz

quanto mais tirana
mais infeliz

quanto menos humana
mais contraditória
Dafran Macário
São Paulo
Abril, 2014

domingo, 20 de abril de 2014

Epitáfio para Gabriel García Márquez






















então vá Gabriel
inventar sem papel
traquinar a granel
encantar lá no céu



Dafran Macário
São Paulo
Abril, 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Antes do Anoitecer
















a vida trás e leva
a gente faz e não
por ou sem querer
acerta e erra

muito do que vivemos
sequer percebemos
acontecimentos que 
na luz compreendemos

o transcorrer da vida, como do dia
passa, assim, rapidamente
a luz, leve, intensifica
suavizando, novamente, no poente

não tema viver, intensamente
hoje, amanhã, será passado
um novo amanhecer
pode demorar

Dafran Macário
Macapá
2001

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Primavera
















flores
          cimento
de almas
              leves


Dafran Macário
Brasília
Primavera, 2010

domingo, 23 de março de 2014

Alma-mor






















amor, alma
que a maturidade
acalma



Dafran Macário
Araçoiaba da Serra
Março, 2014

domingo, 16 de março de 2014

Vento











 



você em minha vida
passou como vento
esquentou ao ser
esfriou ao ceder

teu vento quando vinha
acalanto, brisa, encanto
teu vento quando ia
lamento, rajada, desalento

teu vento bateu em mim
revirou minhas certezas
desarrumou minha desordem
empurrou-me para fora, enfim

o vento, agora meu
esfria dúvidas, aquece o tempo
meu vento quando vou
canto, sopro, movimento

Dafran Macário
São Paulo
Novembro, 2008